EU SOU UM IRONMAN !!!


Queria começar esse texto pedindo desculpas....

Desculpas por decepcionar aqueles que me disseram ou pensaram que eu não iria conseguir completar a prova.


Então me perdoem em decepcioná-los, mas agora eu sou um IRONMAN!!!!!

Na verdade, desculpas não são apropriadas e sim um "Muito Obrigado!" Pois com essa atitude "negativa" vocês só me incentivaram a mostrar do que eu sou capaz.

Nunca duvide da capacidade de uma pessoa determinada!

"Nado o que poucos correm, corro o que muitos não pedalam e pedalo o que cansa indo de carro".

Bem, com isto dito e com muito orgulho sim, agradeço mais uma vez a minha esposa, aos meus familiares (do meu lado e do dela), amigos e pessoas que, mesmo não conhecendo pessoalmente, com o advento das redes sociais, estiveram ao meu lado me mandando mensagens de incentivo. Vocês não fazem ideia de como isso me ajudou durante todo o percurso, pois são horas e horas de muito esforço, suor, lagrimas, risadas, pensamentos etc. Muitas vezes a guerra psicológica chega a ser maior do que o esforço físico. Depois de uma semana de preparativos, retirada dos kits, simpósio e um sábado de pintura do número nos braços, deixando a bike e as sacolas com os kits do pedal e da corrida na transição, chega o grande dia.



Acordamos 3h da manhã, tomamos café e bora rumo ao tão sonhado Ironman.

Logo de cara, quando estou me encaminhando para a largada, faltando 30min para o início de tudo, recebo um telefonema dos amigos Polyanna Moreira e Eduardo Gomes, e que diga-se de passagem, foram anjos na quele momento, me avisando de que estavam chamando o meu número na área de transição pois havia algo de errado com a minha bike. Gelei!!!

Corri com a minha esposa pra lá, já completamente transtornado pelo tempo que estava acabando para resolver qualquer problema antes da largada.

Chegando lá, verifico que a válvula da câmara de ar havia rasgado. Me parece que quem informou a organização foi um dos triatletas que estavam com a bike do lado da minha. Tenho pra mim que ele deve ter encostado na minha bike e o bico deve ter rasgado na beira do suporte de bikes. Bom, pelo menos ele informou o ocorrido, né?!

Corri com a magrela para a tenda dos mecânicos, que prontamente já desmontaram e colocaram a minha câmara reserva no lugar. Ufa, faltando 10min. pra largada, voltamos eu e minha esposa pra praia.

Entro na área dos atletas e começo a procurar, no meio dos 2200 triatletas, os meus parceiros de prova, João Perotti, Eduardo Gomes, Alexandre Rocha e Raphael David. Achei o João e o Dú.

Tudo pronto, toca a buzina e lá vamos nós pra água nadar os 3.8 km . Nado, nado, nado, águas vivas, nado, águas vivas, nado, mais águas vivas até que surge a primeira boia, nado mais um pouco, toma-lhe porrada na perna, continuo nadando, água viva, nado, nado, pernada na mão e finalmente a areia, corro mais 200 metros, encontro com os sogros, cunhada e co-cunhado dando a maior força, hidrato e caio na água novamente para as braçadas finais. Nesse trecho, nada de diferente do que já citei aqui...rs.

Saio da água, feliz demais. Encontro com uma atleta americana que chorava sem parar, mas ao mesmo tempo ria de euforia de ter superado o primeiro dos três desafios.

Lá vamos nós, corre tirando a parte de cima da roupa de borracha, até chegar nos Staffs da prova para que eles nos ajudem a retirar a roupa toda. Senta no chão, levanta a perna e o staff puxa a roupa rapidamente. Nunca foi tão fácil tirar esse treco!!!.....kkkkkk

Pega a roupa passa pelos chuveirinhos pra tirar o sal e corre pra área de transição.

Na área de transição, pego a sacola com o kit pro ciclismo que deixei pronto no dia anterior e vou me trocar. Me troco, hidrato, como bolachas e bananas, vou ao banheiro e bora pedalar 180 km.

Na saída para o pedal, mais um gesto de carinho da super esposa sorridente e linda.

No pedal a gente tem muito, mas muito tempo para pensar na vida. Levo na bike, colada no quadro, uma foto da minha ironwife com a cadelinha mais especial do mundo a Dolly....rs.


Quando faltava força, uma rápida olhada para baixo já me fazia levantar a cabeça sorrindo para buscar a minha meta.

Você se depara com gente rindo, chorando, reclamando e até quem se questione o que está fazendo ali.

Muito vento contra em alguns pontos da prova, o que torna o esforço muito maior. E bota esforço nisso! Gente com pneu furado, bike quebrada e gente que caiu ou estava com dores e estava sendo atendida por ambulância.

Nos pontos de hidratação, água e muito Gatorade pra hidratar. A água vem em um squeeze da Gatorade que é muito concorrido pela molecada nas ruas onde passamos. Eles gritam "GARRAFIIIINHAAAAA" e alguns atletas, contra as regras pois pode causar acidentes, jogam suas garrafinhas para a garotada, que sai com sacolas gigantes de squeeze nas costas.

Ai você me pergunta: "Mas o que você come ou almoça durante a prova?"


Além de Gel, barrinhas de proteína e bolachas, levei um saquinho desses de Chup-chup, Sacolé, geladinho ou como quiser chamar, com purê de batata salgado com sal light que tem potássio na sua composição. Perfeito, matou a fome e a vontade de comer algo salgado depois de tanta gororoba doce que você ingere.